SAQUAREMA.

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praia da vila.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

                                        A dor de Jesus – Um relato médico





Nota prévia do JC na veia: Encarem todo este relato médico com atenção, não se trata  de uma análise bíblica do acontecimento, mas sim de uma análise contemporânea,  sujeita a dados fictícios.
Sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo. Por treze anos vivi  em companhia de cadáveres e durante a minha carreira estudei anatomia a  fundo. Posso, portanto escrever sem presunção a respeito de morte como aquela.
Jesus entrou em agonia no Getsemani e seu suor tornou-se como  gotas de sangue a escorrer pela terra. O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas. E o faz com a precisão de um clínico.
O suar sangue, ou “hematidrose”, é um fenômeno raríssimo. É  produzido em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza  física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda  emoção, por um grande medo.
O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando  todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produz o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e  então escorre por todo o corpo até a terra.
Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o  envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes.  Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus.
Os soldados despojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do  pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são  fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos. Os carrascos devem ter sido  dois, um de cada lado, e de diferente estatura.
Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de sangue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue  espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem;  um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea,  calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos  pulsos, cairia em uma poça de sangue.
Depois o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que  os de acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os  cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo).
Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão  feroz, o entrega para ser crucificado.
Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da  Cruz; pesa uns cinqüenta quilos. A estaca vertical já está plantada sobre o  Calvário.
Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno  irregular, cheia de pedregulhos. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso é de cerca  de 600 metros. Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente cai  sobre os joelhos. E os ombros de Jesus estão cobertos de chagas.
Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe  esfola o dorso. Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam  o condenado, mas a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la produz dor  atroz.
Quem já tirou uma atadura de gaze de uma grande ferida percebe do  que se trata. Cada fio de tecido adere à carne viva: ao levarem a túnica, se  laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas.
Os carrascos dão um puxão violento. Há um risco de toda aquela dor provocar uma síncope, mas ainda não é o fim. O sangue começa a escorrer.  Jesus é deitado de costas, as suas chagas se incrustam de pé e pedregulhos.
Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas. Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a  penetração dos pregos. Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e  quadrado), apóiam-no sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o  plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto  assustadoramente. O nervo mediano foi lesado.
Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor  lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros,  atingindo o cérebro. A dor mais insuportável que um homem pode provar, ou seja,  aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos: provoca uma síncope e  faz perder a consciência. Em Jesus não. O nervo é destruído só em parte: a  lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego: quando o corpo for  suspenso na cruz, o nervo se esticará fortemente como uma corda de violino esticada  sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um suplício que durará três horas.
O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam  Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; conseqüentemente fazendo-o  tombar para trás, o encostam-se à estaca vertical.
Depois rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz sobre a  estaca vertical. Os ombros da vítima esfregam dolorosamente sobre a madeira  áspera. A ponta cortante da grande coroa de espinhos penetram o crânio.
A cabeça de Jesus inclina-se para frente, uma vez que o diâmetro  da coroa o impede de apoiar-se na madeira. Cada vez que o mártir levanta a  cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor. Pregam-lhe os pés.
Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. Seu  corpo é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa  a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem  sede.
Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja  embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura  atroz. Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os  bíceps esticados e levantados, os dedos, se curvam. É como acontece a alguém  ferido de tétano. A isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em  seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios. A  respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não  consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um  asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois  se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianótico.
Jesus é envolvido pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem  mais se esvaziar. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de  órbita.
Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus  toma um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforça-se a pequenos golpes, se  eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem.
A respiração torna-se mais ampla e profunda, os pulmões se  esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial.
Por que este esforço? Porque Jesus quer falar: “Pai, perdoa-lhes  porque não sabem o que fazem”. Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de  novo, e a asfixia recomeça. Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na  cruz: cada vez que quer falar, deverá levar-se tendo como apoio o prego dos  pés.
Inimaginável! Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo  coagulado, enxames de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas ele não pode  enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura diminui. Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três  horas.
Todas as suas dores, a sede, as câimbras, a asfixia, o latejar dos  nervos medianos, lhe arrancam um lamento: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?”. Jesus grita: “Tudo está consumado!”. Em seguida num  grande brado diz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. E morre. Em meu  lugar e no seu.
Autoria atribuída a Dr. Barbet, médico francês.
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