Juanribe Pagliarin
O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ensina,
no capítulo 4, parágrafo 4: “A ressurreição supõe o retorno à vida do corpo que
está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, porque os
elementos desse corpo estão, há muito tempo, desintegrados na Natureza.”. Esta
é uma questão fechada no Espiritismo. Por isso, os kardecistas combatem a
Ressurreição, procurando confundi-la com reencarnação. Porém, defender esta
postura incondicionalmente significa se colocar contra Jesus, que além de ter
ressuscitado três mortos, disse Dele mesmo: "Eu sou a Ressurreição e Vida;
quem crer em mim, ainda que esteja morto, viverá". Leia este artigo de
Juanribe Pagliarin e tire as suas dúvidas:
REENCARNAÇÃO ou RESSURREIÇÃO?
(FATO OCORRIDO NO CULTO ECUMÊNICO DA FACULDADE DE DIREITO DO
LARGO DE SÃO FRANCISCO – USP, vivenciado por Juanribe Pagliarin)
O Salão Nobre da Faculdade de Direito do Largo São Francisco
estava lotado. Pais, mães, avós, amigos, em seus mais elegantes trajes,
procuravam, orgulhosos, os lugares mais favoráveis para verem, do melhor ângulo
possível, seus filhos e filhas, integrantes da 180ª. Turma, receberem o tão
desejado Diploma de Formatura.
Antes, porém, todos teriam de ouvir as autoridades
eclesiásticas ali presentes que, esperava-se, diriam palavras de incentivos aos
formandos. O primeiro a discursar foi um padre, seguido de um frei, um pastor,
uma monja budista e um doutrinador kardecista. Este último, ao palestrar,
afirmou categoricamente:
“Lázaro não morreu. O que ele teve foi catalepsia.”
A sua maneira de dizer, acompanhada de orgulhosa expressão
facial, dava a entender que somente ingênuos e ignorantes poderiam acreditar
que Lázaro realmente tivesse morrido.
Algumas pessoas ao meu lado demonstraram simpatia pela
sabedoria daquele instrutor que, quase dois mil anos depois do fato,
desmistificou, à luz dos conhecimentos atuais, a ressurreição de Lázaro.
O distinto auditório, não obstante ser constituído de
pessoas cultas e esclarecidas, não dispunha de base teológica para analisar a
veracidade ou não da afirmação e muitos a receberam como legítima ou – na pior
das hipóteses – na dúvida: será? Por isso, este ensinamento kardecista merece
ser melhor analisado.
Já que nem eu, nem o doutrinador espírita, nem uma junta
médica, podem viajar no tempo e analisar o corpo de Lázaro na sepultura para
verificar se aquele caso era de morte ou catalepsia, só podemos chegar perto de
alguma conclusão se analisarmos a única fonte histórica disponível: o capítulo
11 do Evangelho escrito por João, testemunha ocular dos fatos. Para tanto,
vamos copiar o seu relato, na íntegra:
“Estava, porém, enfermo um certo Lázaro, de Betânia, aldeia
de Maria e de sua irmã Marta. E Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com
unguento, e lhe tinha enxugado os pés com os seus cabelos, cujo irmão Lázaro
estava enfermo.
Mandaram-lhe, pois, suas irmãs dizer: Senhor, eis que está
enfermo aquele que tu amas. E Jesus, ouvindo isto, disse:
– Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de
Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.
Ora, Jesus amava a
Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. Ouvindo, pois, que estava enfermo, ficou ainda
dois dias no lugar onde estava. Depois disto, disse aos seus discípulos:
– Vamos outra vez para a Judéia.
Disseram-lhe os discípulos:
– Rabi, ainda agora os judeus procuravam apedrejar-te, e
tornas para lá?
Jesus respondeu:
– Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não
tropeça, porque vê a luz deste mundo; Mas, se andar de noite, tropeça, porque
nele não há luz.
Assim falou; e,
depois, disse-lhes:
– Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono.
Disseram, pois, os
seus discípulos:
– Senhor, se dorme, estará salvo.
Mas Jesus dizia isto
da sua morte; eles, porém, cuidavam que falava do repouso do sono. Então Jesus
disse-lhes claramente:
– Lázaro está morto; E folgo, por amor de vós, de que eu lá
não estivesse, para que acrediteis; mas vamos ter com ele.
Disse, pois, Tomé,
chamado Dídimo, aos condiscípulos:
– Vamos nós também, para morrermos com ele.
Chegando, pois,
Jesus, achou que já havia quatro dias que estava na sepultura. (Ora Betânia
distava de Jerusalém quase quinze estádios.) E muitos dos judeus tinham ido
consolar a Marta e a Maria, acerca de seu irmão.
Ouvindo, pois, Marta que Jesus vinha, saiu-lhe ao encontro;
Maria, porém, ficou assentada em casa. Disse, pois, Marta a Jesus:
– Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria
morrido. Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to
concederá.
Disse-lhe Jesus:
– Teu irmão há de ressuscitar.
Disse-lhe Marta:
– Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último
Dia.
Disse-lhe Jesus:
– Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que
esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês
tu isto?
Disse-lhe ela:
– Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus,
que havia de vir ao mundo.
E, dito isto, partiu,
e chamou em segredo a Maria, sua irmã, dizendo:
– O Mestre está aqui, e chama-te.
Ela, ouvindo isto,
levantou-se logo, e foi ter com ele. (Ainda Jesus não tinha chegado à aldeia,
mas estava no lugar onde Marta o encontrara.) Vendo, pois, os judeus, que
estavam com ela em casa e a consolavam, que Maria apressadamente se levantara e
saíra, seguiram-na, dizendo: Vai ao sepulcro para chorar ali. Tendo, pois,
Maria chegado aonde Jesus estava, e vendo-o, lançou-se aos seus pés,
dizendo-lhe:
– Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria
morrido.
Jesus, pois, quando a
viu chorar, e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em
espírito, e perturbou-se. E disse:
– Onde o pusestes?
Disseram-lhe:
– Senhor, vem e vê.
Jesus chorou.
Disseram, pois, os
judeus:
– Vede como o amava.
E alguns deles disseram:
– Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também
com que este não morresse?
Jesus, pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, foi ao
sepulcro; e era uma caverna, e tinha uma pedra posta sobre ela. Disse Jesus:
– Tirai a pedra.
Marta, irmã do defunto, disse-lhe:
¬– SENHOR, já cheira mal, porque é já de quatro dias.
Disse-lhe Jesus:
– Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?
Tiraram, pois, a
pedra de onde o defunto jazia. E Jesus, levantando os olhos para cima, disse:
– Pai, graças te dou, por me haveres ouvido. Eu bem sei que
sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor,
para que creiam que tu me enviaste.
E, tendo dito isto, clamou com grande voz:
– Lázaro, vem para fora.
E o defunto saiu, tendo
as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço.
Disse-lhes Jesus:
– Desligai-o, e deixai-o ir.
Muitos, pois, dentre
os judeus que tinham vindo a Maria, e que tinham visto o que Jesus fizera,
creram nele."
Convido você a analisar criticamente e com racionalidade os
comentários a seguir para que, no final, tire as suas próprias conclusões.
Considero oportuno extrairmos algumas provas e conclusões do
texto original:
1- Antes de morrer, Lázaro adoeceu. Sua enfermidade se agravou
a tal ponto, que obrigou suas irmãs, preocupadíssimas, a enviar mensageiro para
chamar urgentemente o amigo Jesus, para curá-lo. O Senhor encontrava-se em um
lugar distante, em oculto, porque os seus inimigos na Judeia queriam
apedrejá-lo por blasfêmia, ao ter declarado publicamente que Ele e o Pai são
um. (João 10:30-31)
2- Dois dias depois de avisado, Jesus comunica aos
discípulos a decisão de voltar para a Judeia, mesmo sob risco de apedrejamento
e morte, para “despertar” Lázaro. É evidente que Jesus não arriscaria a sua
vida e a de seu grupo para apenas acordar uma pessoa.
3- Jesus desfez pessoalmente qualquer ideia de simples sono,
também presente nos discípulos, ao dizer enfaticamente: “Lázaro está morto! E
folgo, por amor de vós, de que eu lá não estivesse, para que acrediteis”. Veja
que Jesus quer que os seus discípulos acreditem nesta sua afirmação: “Lázaro
está morto!”. Considerando-se que Ele nunca mentiu e que nenhum engano se achou
na sua boca (Isaías 53:9, I Pedro 2:22), não há porque duvidar de tal
afirmação.
4- Além da Palavra do Senhor Jesus, o Médico dos médicos que
deu o atestado de óbito de Lázaro, temos o testemunho de Marta, que acompanhou,
dia e noite, o agravamento da enfermidade que levou o seu irmão à morte e,
desgostosa, responsabilizou Jesus por não ter chegado a tempo.
5- Temos, ainda, a réplica de Jesus, dizendo à Marta que seu
irmão iria ressuscitar. Caso Lázaro estivesse apenas dormindo, num estado de
catalepsia que enrijece o corpo e simula a morte, Jesus não teria falado em
ressurreição.
6- Temos ainda como prova da real morte de Lázaro a atitude
da sua irmã mais nova que, arrasada, lança-se aos pés de Jesus e, igualmente,
responsabiliza o atraso de Jesus como a causa do falecimento de seu irmão.
7- O choro de Jesus é mais uma prova de que Lázaro está
morto. Porque, se Lázaro estivesse apenas dormindo, jamais o Senhor choraria.
Pelo contrário: ainda esclareceria, com ânimo e sorrisos, o estado cataléptico
do amigo. “Jesus chorou” porque havia motivo para chorar: Lázaro está morto! A
morte é tão trágica que até Deus chora!
8- Temos ainda os testemunhos dos amigos de Lázaro,
presentes no cemitério, que também choravam e se perguntavam: Por que Jesus,
que curou até cego de nascença, não evitou a morte de Lázaro?
9- A diferença fundamental entre a catalepsia e a morte é
que, na catalepsia, o corpo não apodrece e nem cheira mal. Marta justifica a
sua relutância em retirar a pedra porque, diz ela, “SENHOR, já cheira mal... é
já de quatro dias.”.
10- Foi neste episódio que Jesus faz
a maior revelação a respeito da Sua própria pessoa: EU SOU A RESSURREIÇÃO E A
VIDA; QUEM CRÊ EM MIM, AINDA QUE ESTEJA MORTO, VIVERÁ! A ressurreição de Lázaro
colide frontalmente com o ensino do Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan
Kardec que, no capítulo 4, parágrafo 4, afirma: “A ressurreição supõe o retorno
à vida do corpo que está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente
impossível, porque os elementos desse corpo estão, há muito tempo,
desintegrados na Natureza.”.
É justamente esta impossibilidade
cientifica e humana que faz de Jesus a Ressurreição e a Vida! O corpo de Lázaro
já está em adiantado estado de desintegração e Jesus vai fazer o que o
Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.: 4-4, garante que é impossível:
ressuscitá-lo!
11- Jesus insiste para que Marta abra a sepultura e afirma:
“Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?”. Ora, caso Lázaro
estivesse apenas dormindo, o Senhor jamais iria demonstrar a Sua Glória e o Seu
poder baseando-se em uma mentira ou em um engano.
12- Entre tantos outros, a ressurreição de Lázaro é o maior
milagre de Jesus porque, nele, o Senhor provou o Seu poder sobre o Inimigo
Número Um da Humanidade: a Morte e que Ele é a Ressurreição e a Vida. Tentar negar
este milagre ou diminui-lo, para defender uma doutrina, é tentar roubar-Lhe a
Glória, porque só Ele tem poder para ressuscitar os mortos.
13- Afirmar que Lázaro não morreu é colocar Deus e Jesus num
palco de teatro, encenando uma falsa ressurreição. Mas Jesus não está fingindo
e nem é um ator. Diante da sepultura aberta de Lázaro Ele ora com sinceridade
ao Pai e diz que está fazendo aquilo para que creiam que Ele é o Enviado.
14- Muitos dos judeus que presenciaram este milagre eram
inimigos de Jesus até então, mas creram Nele, porque sabiam que Lázaro
realmente estava morto, apodrecido e cheirando mal.
A ressurreição de Lázaro, quatro dias depois de morto, foi
motivo de festa e banquete, conforme se lê no capítulo 12 de João. E também é a
causa derradeira da decisão de eliminar Jesus, já que os Seus inimigos diziam:
“Que faremos? Porquanto este homem faz muitos sinais... E desde aquele dia
consultavam-se para o matarem” (João 11:46-53). E ainda está registrado que os
inimigos de Jesus queriam matar também o Lázaro ressuscitado porque, os que o
viam vivo, “iam e criam em Jesus” (João 12:10-11).
Cada pessoa é livre para acreditar no que quiser. Mas, do
mesmo modo que a fé não pode ser cega e irracional, ela também não pode ser
ingênua e infantil. Em quem você prefere acreditar? No Juiz dos vivos e dos
mortos (Atos 10:42) ou em espíritos?
Se diante da leitura honesta e imparcial deste texto você
continuar crendo que Lázaro teve catalepsia, você estará chamando Marta, Maria,
os amigos de Lázaro, João, e até o próprio Jesus de mentirosos, porque todos
estes afirmam que Lázaro morreu. Acreditar em pessoas e espíritos que afirmam o
contrário é apostatar da fé e permitir que excluam o seu corpo da futura
ressurreição e vida.
Há um só Evangelho. O apóstolo Paulo escreveu: “Ainda que
nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos
tenho anunciado, seja anátema.” (Aos Gálatas 1:8). Anátema quer dizer: maldito.
O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, é
inspirado por supostos “espíritos de luz” e, ainda que traga trechos do Sermão
da Montanha e Parábolas de Jesus, não é o mesmo Evangelho de Jesus Cristo, por
negar a ressurreição. É outro evangelho.
Euanggélion vem do grego e quer dizer “boa nova”. E esta é a
boa notícia: Jesus veio, guardou-Se santo e imaculado, morreu como sacrifício
pelas culpas que carregamos e ressuscitou vitorioso! Ele disse: “EU SOU A
RESSURREIÇÃO E A VIDA; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá!”. Ele
pergunta a você o mesmo que perguntou à Marta: “Crês tu isto?”. A salvação é
uma questão de fé inteligente. Se você crê, abra a sua boca e o seu coração e
receba agora o SENHOR JESUS como seu único, suficiente, exclusivo e eterno
Salvador! E procure uma comunidade verdadeiramente cristã, onde não haja
comércio, exploração ou mistificação da fé. E passe a viver a Vida de verdade
que Jesus, o Enviado de Deus, veio trazer.
Se você conhece algum aluno da USP ou alguém que crê em
reencarnação, repasse este artigo. Envie e-mails ou faça cópias. Esta
reprodução está totalmente autorizada.